segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Astrofotografia com o RC8: planetas!

Normalmente os telescópios RC são vistos como ótimos para fotografia de DSO, o que é verdade dada a sua óptica bem corrigida. algo que me preocupou bastante quando comprei esse telescópio era se eu perderia muito em uso visual, principalmente para planetas e Lua. Nas últimas semanas tenho usado meu RC8 para uso visual e astrofotografia planetária, aproveitando para entender bem o comportamento desse telescópio e tenho percebido bons resultados. 

No visual ele não fica nada a dever à um newtoniano de 200mm, consegue-se observar os mesmos objetos com qualidade similar. Usando as mesmas oculares e no mesmo local de observação, o rendimento dos dois equipamentos ficou bem empatado. Realmente, no campo de observação visual, o limitante para ambos os equipamentos é muito mais a condição do céu (PL, ventos, umidade, turbulência,....) do que a construção do equipamento em si. Como referência, meu ponto de observação é no quintal de casa, em São Paulo, capital. 

Na astrofotografia planetária ainda não obtive resultados "excelentes", apenas bons. Nas noites em que tive a chance de fotografar Júpiter e Marte o nível de turbulência estava acima da média e, com os grandes aumentos necessárias (câmera planetária + barlow 2x + extensor de 50mm) a qualidade das imagens não ficou ainda como que queria. Entretanto, percebe-se o grande potencial desse equipamento. 

Algumas fotos que fiz com ele podem ajudar numa avaliação inicial. Todas foram empilhadas e tratadas no Registax 6 a partir de videos avi obtidos de uma câmera QHY5L-II da QHYCCD.


Júpiter - Dezembro/2013 - São Paulo - SP

Marte - Janeiro/2014 - São Paulo - SP

Júpiter - Janeiro/2014 - São Paulo - SP


Fotos de DSO também estão saindo mas ainda estou brigando com a guiagem para obter estrelas pontuais. Precisarei dedicar mais algumas horas aperfeiçoando a colimação (ponto chave nessa óptica) além de buscar algumas formas de tratamento de imagem para burlar a poluição luminosa aqui da minha cidade. Postarei fotos quando conseguir algo com qualidade aceitável.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Outro telescópio se foi.... 

Na última semana vendi meu telescópio newtoniano 150mm f/D8. Apesar dele estar há um bom tempo parado e sem uso foi difícil me desfazer dele... Tive outros equipamentos num passado distante mas considero que esse 150mm f/D8 da Skywatcher foi meu primeiro telescópio sério. Fiquei com ele aproximadamente 3 anos e posso dizer que todo o conhecimento científico que tenho de astronomia eu aprendi com ele. Entro agora em uma nova fase de aprendizado com astrofotografia. Estou com apenas um equipamento, o RC8 da GSO, e pretendo me manter assim usando-o para evoluir mais e mais nessa atividade tão cativante que é a astronomia amadora. Espero que o próximo dono tenha tantas alegrias com o newtoniano 150mm como eu tive.

domingo, 10 de novembro de 2013

Colimação de telescópio Ritchey-Chrétien 8” f/D8

Para seu melhor desempenho um telescópio deve ter seus espelhos perfeitamente alinhados e o processo para obter esse alinhamento é chamado de colimação. Essa é uma característica crítica e desejável para qualquer telescópio mas para os Ritchey-Chrétiens essa exigência é ainda maior. Somente com uma colimação precisa é que se poderá extrair o máximo das características ópticas superiores dessa configuração de telescópio refletor. É possível que seu telescópio já venha perfeitamente colimado de fábrica; é possível também que ele venha levemente fora de colimação (meu caso) ou ainda que venha a ficar descolimado ao longo do tempo (um pouco raro, se você for cuidadoso no manuseio).

Como recebi o telescópio levemente desalinhado, tive que proceder sua colimação e organizei um passo a passo do processo. Preparei um arquivo pdf que mostra de forma geral esse procedimento. No meu caso precisei de cerca de 40 minutos para realizar o procedimento.

O documento pode ser baixado aqui.


sábado, 28 de setembro de 2013

Ajustes no RC8: mudando a posição dos dovetails

O telescópio GSO RC8 vem com dois dovetails: um padrão Vixen e outro padrão Losmandy. De fábrica ele apresenta o suporte para a buscadora do mesmo lado do dovetail padrão Vixen. Com isso, caso a montagem tenha apenas o berço com encaixe padrão Vixen, será necessário usar este para fixar o telescópio à montagem e assim a buscadora vai ficar na parte de baixo do telescópio. Apesar de não haver problema no uso essa pode ser uma posição bastante incômoda além de haver o risco da buscadora bater no tripé durante a movimentação da montagem dependendo da posição do céu que se deseja observar e da localização do observador. Nos próximos passos será mostrado um procedimento muito simples para trocar a posição destes dois dovetails, invertendo sua montagem.

Os dovetails

Vista lateral dos dovetails; note a posição do suporte de buscadora ao lado do dovetail Vixen.


Vista frontal dos dovetails. Do lado esquerdo, em cima, Vixen; do lado direito, embaixo, Losmandy.


A montagem dos dovetails

Quatro parafusos Phillips prendem o dovetail padrão Vixen ao tubo do telescópio:


Quatro parafusos Allen prendem o dovetail Losmandy aos seus suportes e outros quatro parafusos Philips prendem os suportes ao tubo como veremos à frente.


Removendo o dovetail Losmandy

CUIDADO! Não solte os quatro parafusos de uma vez; o dovetail é pesado e deve ficar bem apoiado para evitar danos ao tubo. Mantenha-o sempre seguro enquanto solta os parafusos. Com auxílio de uma chave Allen remova os quatro parafusos, soltando o dovetail de seu suporte. 


Dovetail removido ao lado do telescópio e suportes ainda no tubo
Removendo os suportes do dovetail

Depois de remover o dovetail deve-se remover os suportes do dovetail. Novamente, use uma chave Allen e remova os dois suportes soltando seus quatro parafusos (dois em cada suporte). 

Detalhe do suporte do dovetail Losmandy
Dovetail Losmandy, suporte e parafusos

É interessante notar que a furação no tubo do telescópio tem a mesma disposição da furação do dovetail Vixen, possibilitando sua troca de posição sem nenhuma alteração adicional.


Removendo o dovetail Vixen

CUIDADO! Não solte os quatro parafusos de uma vez; o dovetail é pesado e deve ficar bem apoiado para evitar danos ao tubo. Mantenha-o sempre seguro enquanto solta os parafusos.Com auxílio de uma chave Phillips remova os quatro parafusos, soltando o dovetail do tubo. 

Dovetail removido ao lado do telescópio

Final do trabalho: remontando os dovetails

Agora basta recolocar o dovetail Vixen encostado na parede do tubo, na posição que estava o dovetail Losmandy, e parafusá-lo novamente com os parafusos Phillips. Do outro lado, parafuse primeiro os suportes na parede do tubo usando os parafusos Allen pequenos; depois parafuse o dovetail Losmandy sobre os suportes usando os parafusos Allen grandes.

Evite apertos exagerados, tente usar a mesma força de aperto que foi usada para soltar os parafusos. Nessa configuração o dovetail Losmandy ficará ao lado do suporte da buscadora e o Vixen do lado oposto. Assim, quem tiver uma montagem com berço padrão Vixen poderá montar seu equipamento de forma que a buscadora fique do lado de cima do telescópio, facilitando seu uso e evitando acidentes.

Um comentário final: nesse momento algumas pessoa podem imaginar de retirar o dovetail Losmandy para reduzir o peso de seu equipamento. Esse procedimento não é recomendado pelo fabricante dado que o lado sem dovetail estará menos rígido que o lado com dovetail podendo ocasionar flexão no tubo, desalinhando os espelhos primário e secundário e distorcendo as imagens. Essa hipótese será verificada e volto a postar os resultados a partir de um teste de estrela.

Atualização: usei o telescópio apenas com um dos dovetails e não há problema com colimação ou distorção de imagem. Pode-se então retirar o dovetails que não esteja em uso, reduzindo assim algum peso do setup. No meu caso retirei o Losmandy, o que reduziu o peso total em aproximadamente 1kg.





sábado, 21 de setembro de 2013

Novo telescópio Ritchey–Chrétien 8"

Uma grande novidade para mim esta semana! Chegou em casa meu telescópio Ritchey–Chrétien 8" (ou simplesmente RC8) comprado no Armazém do Telescópio. Um telescópio Ritchey-Chrétien é um telescópio Cassegrain inventado no início do século 20 que tem um espelho primário hiperbólico e um espelho secundário também hiperbólico projetados para eliminar erros ópticos (coma). Eles têm grande campo de visão livre de erros ópticos em comparação com as configurações mais convencionais de telescópios refletores. Desde meados do século 20 a maioria dos grandes telescópios profissionais de pesquisa têm sido fabricados em configurações Ritchey-Chrétien (Hubble Space Telescope, Very Large Telescope, Keck Observatory, Gran Telescopio Canarias).

Esse telescópio em especial é da fabricante GSO, tem 200mm de espelho primário, peso em torno de 8kg. Com todos os acessórios (buscadora, diagonal e ocular ou DSLR,...) seu peso atinge algo como 9,8kg, em torno de 75% da capacidade de carga de minha montagem Orion Sirius EQ-G. O modelo que adquiri tem o tubo em metal (alumínio, segundo o fabricante), dovetails padrão Vixen e Losmandy, diagonal dielétrica. Não acompanha a buscadora que tive que adaptar (eu tinha uma Skywatcher 9x50mm) na sapata incluída no tubo.

A construção do telescópio é muito robusta, com materiais de primeira e acabamento impecável. A pintura branca com detalhes em preto é simples mas muito bem feita.

Vista lateral do OTA
Vista frontal mostrando tampa e detalhe dos dovetails
Ele é equipado com focalizador Crayford de das velocidades (redução 10:1), removível (basta soltar esse anel recartilhado que o prende), com escala graduada no tubo do focalizador para ajustes finos. Vem com sistema de anel de bronze que permite fixar com segurança os acessórios sem marcá-los. Seu padrão é 2" mas acompanha um adaptador 1,25".


Escala no focalizador e detalhe do anel de bronze e adaptador 1,25"
O interior do tubo possui 10 defletores que servem para desviar luzes parasitas e aumentar o contraste da imagem. É pintado em um preto fosco muito bem acabado. A célula do secundário é muito robusta, toda montada com parafusos Allen que garantem sua fixação ao tubo e estabilidade do alinhamento do secundário. Seu diâmetro é de 85mm o que confere uma obstrução central de aproximadamente 40%.

Detalhe interno do tubo com destaque para a célula do secundário e defletores
Entre os acessórios incluídos existem três extensores de 90mm de diâmetro por 1" e 2" de comprimento. com esses extensores é possível adaptar uma séries de acessórios, câmeras, rodas de filtros e obter foco em qualquer das configurações.
Anéis extensores
É um belo equipamento, com abertura de respeito (200mm), comprimento compacto (530mm) e peso razoável para a montagem que possuo. Agora é partir para testes de campo e aproveitar o que essa óptica conhecida pela sua ótima correção tem a oferecer. Encerro com uma foto do tubo na minha montagem Sirius EQ-G e uma grande expectativa nesse novo equipamento.

Tubo colocado na montagem Orion Sirius EQ-G



domingo, 11 de agosto de 2013

Minha nova maleta de acessórios.

Hoje é dia dos pais. Além de toda a alegria de estar em casa com minha esposa e duas filhas queridas ganhei um presentão! Tenho poucos acessórios para a atividade de astronomia amadora que há muito estavam em uma pequena pasta improvisada. O problema todo era que essa pasta era pequena e quando eu ia ao quintal tinha que ficar carregando várias coisas em viagens separadas: a pasta com oculares e filtros, uma extensão elétrica, a caixinha da minha câmera, controle SynScan, fonte, lanterna....

Ganhei da minha esposa e filhas uma ótima maleta de alumínio que além de muito bonita e resistente me permitiu colocar todos os acessórios juntos de forma que isso vai reduzir muito o número de viagens para montar o equipamento. Grande vantagem também é que agora fica tudo bem guardado e protegido.

Obrigado à esposa sempre companheira, obrigado à filhas que trazem alegria e iluminam minha vida e obrigado às três que sempre me ajudam e estimulam o meu hobby.




domingo, 4 de agosto de 2013

Algumas observações nas férias

Depois de um curto período de férias viajando com a família retorno a São Paulo. A campeã de poluição luminosa da América Latina pode desanimar e muito os astrônomos amadores de plantão mas ainda assim somos muitos aqui. O que gosto dessa época de inverno, além do frio, é que os céus ficam aparentemente bem mais escuros o que aumenta o prazer da astronomia amadora urbana. Ao lado disso têm muitos objetos interessantes para observar na região de Sagitário e Escorpião (minha constelação favorita).

Daqui de São Paulo alguns dos objetos fáceis de visualizar são as nebulosas planetárias. São objetos de céu profundo com um brilho de superfície razoável, o que facilita sua busca e observação. Nesses últimos dias consegui observar duas nebulosas planetárias bem interessantes: M57, a nebulosa do anel que se encontra em Lira e NGC 7009, a nebulosa Saturno que se encontra em Aquário.

Ambas são bem fáceis de localizar e visualizar, mesmo sob os céus extremamente claros aqui de São Paulo. Usando o meu telescópio newtoniano de 150mm f/D8 e ocular Plössl de 17mm, M57 se mostrou como uma nuvenzinha cinzenta com o centro um pouco mais escuro. Mudando para uma ocular Astrotech ED de 8mm é possível ver facilmente o formato de anel que lhe dá o nome.

NGC 7009 foi um verdadeira surpresa. Apontei para ela sem grandes expectativas e no inicio, com a ocular de 17mm, fiquei meio em dúvida se tinha encontrado ou se era uma estrela que eu não conseguia focalizar direito. Finalmente coloquei o foco em uma posição adequada e consegui identifica-la com certeza como sendo a nebulosa que eu procurava. Mudando para a ocular de 8mm permanece o aspecto nebuloso mas agora é facilmente perceptível o formato de Saturno que deu o nome a nebulosa. Realmente, ela se parece com o planeta em sua forma e arrisco dizer também em tamanho aparente.

Para os astrônomos que como eu tem um céu poluído pela iluminação pública esses são dois grandes objetivos para observar nas próximas noites. Para quem tiver céus escuros então, devem ser duas nebulosas muito bonitas para estudar.