sábado, 28 de setembro de 2013

Ajustes no RC8: mudando a posição dos dovetails

O telescópio GSO RC8 vem com dois dovetails: um padrão Vixen e outro padrão Losmandy. De fábrica ele apresenta o suporte para a buscadora do mesmo lado do dovetail padrão Vixen. Com isso, caso a montagem tenha apenas o berço com encaixe padrão Vixen, será necessário usar este para fixar o telescópio à montagem e assim a buscadora vai ficar na parte de baixo do telescópio. Apesar de não haver problema no uso essa pode ser uma posição bastante incômoda além de haver o risco da buscadora bater no tripé durante a movimentação da montagem dependendo da posição do céu que se deseja observar e da localização do observador. Nos próximos passos será mostrado um procedimento muito simples para trocar a posição destes dois dovetails, invertendo sua montagem.

Os dovetails

Vista lateral dos dovetails; note a posição do suporte de buscadora ao lado do dovetail Vixen.


Vista frontal dos dovetails. Do lado esquerdo, em cima, Vixen; do lado direito, embaixo, Losmandy.


A montagem dos dovetails

Quatro parafusos Phillips prendem o dovetail padrão Vixen ao tubo do telescópio:


Quatro parafusos Allen prendem o dovetail Losmandy aos seus suportes e outros quatro parafusos Philips prendem os suportes ao tubo como veremos à frente.


Removendo o dovetail Losmandy

CUIDADO! Não solte os quatro parafusos de uma vez; o dovetail é pesado e deve ficar bem apoiado para evitar danos ao tubo. Mantenha-o sempre seguro enquanto solta os parafusos. Com auxílio de uma chave Allen remova os quatro parafusos, soltando o dovetail de seu suporte. 


Dovetail removido ao lado do telescópio e suportes ainda no tubo
Removendo os suportes do dovetail

Depois de remover o dovetail deve-se remover os suportes do dovetail. Novamente, use uma chave Allen e remova os dois suportes soltando seus quatro parafusos (dois em cada suporte). 

Detalhe do suporte do dovetail Losmandy
Dovetail Losmandy, suporte e parafusos

É interessante notar que a furação no tubo do telescópio tem a mesma disposição da furação do dovetail Vixen, possibilitando sua troca de posição sem nenhuma alteração adicional.


Removendo o dovetail Vixen

CUIDADO! Não solte os quatro parafusos de uma vez; o dovetail é pesado e deve ficar bem apoiado para evitar danos ao tubo. Mantenha-o sempre seguro enquanto solta os parafusos.Com auxílio de uma chave Phillips remova os quatro parafusos, soltando o dovetail do tubo. 

Dovetail removido ao lado do telescópio

Final do trabalho: remontando os dovetails

Agora basta recolocar o dovetail Vixen encostado na parede do tubo, na posição que estava o dovetail Losmandy, e parafusá-lo novamente com os parafusos Phillips. Do outro lado, parafuse primeiro os suportes na parede do tubo usando os parafusos Allen pequenos; depois parafuse o dovetail Losmandy sobre os suportes usando os parafusos Allen grandes.

Evite apertos exagerados, tente usar a mesma força de aperto que foi usada para soltar os parafusos. Nessa configuração o dovetail Losmandy ficará ao lado do suporte da buscadora e o Vixen do lado oposto. Assim, quem tiver uma montagem com berço padrão Vixen poderá montar seu equipamento de forma que a buscadora fique do lado de cima do telescópio, facilitando seu uso e evitando acidentes.

Um comentário final: nesse momento algumas pessoa podem imaginar de retirar o dovetail Losmandy para reduzir o peso de seu equipamento. Esse procedimento não é recomendado pelo fabricante dado que o lado sem dovetail estará menos rígido que o lado com dovetail podendo ocasionar flexão no tubo, desalinhando os espelhos primário e secundário e distorcendo as imagens. Essa hipótese será verificada e volto a postar os resultados a partir de um teste de estrela.

Atualização: usei o telescópio apenas com um dos dovetails e não há problema com colimação ou distorção de imagem. Pode-se então retirar o dovetails que não esteja em uso, reduzindo assim algum peso do setup. No meu caso retirei o Losmandy, o que reduziu o peso total em aproximadamente 1kg.





sábado, 21 de setembro de 2013

Novo telescópio Ritchey–Chrétien 8"

Uma grande novidade para mim esta semana! Chegou em casa meu telescópio Ritchey–Chrétien 8" (ou simplesmente RC8) comprado no Armazém do Telescópio. Um telescópio Ritchey-Chrétien é um telescópio Cassegrain inventado no início do século 20 que tem um espelho primário hiperbólico e um espelho secundário também hiperbólico projetados para eliminar erros ópticos (coma). Eles têm grande campo de visão livre de erros ópticos em comparação com as configurações mais convencionais de telescópios refletores. Desde meados do século 20 a maioria dos grandes telescópios profissionais de pesquisa têm sido fabricados em configurações Ritchey-Chrétien (Hubble Space Telescope, Very Large Telescope, Keck Observatory, Gran Telescopio Canarias).

Esse telescópio em especial é da fabricante GSO, tem 200mm de espelho primário, peso em torno de 8kg. Com todos os acessórios (buscadora, diagonal e ocular ou DSLR,...) seu peso atinge algo como 9,8kg, em torno de 75% da capacidade de carga de minha montagem Orion Sirius EQ-G. O modelo que adquiri tem o tubo em metal (alumínio, segundo o fabricante), dovetails padrão Vixen e Losmandy, diagonal dielétrica. Não acompanha a buscadora que tive que adaptar (eu tinha uma Skywatcher 9x50mm) na sapata incluída no tubo.

A construção do telescópio é muito robusta, com materiais de primeira e acabamento impecável. A pintura branca com detalhes em preto é simples mas muito bem feita.

Vista lateral do OTA
Vista frontal mostrando tampa e detalhe dos dovetails
Ele é equipado com focalizador Crayford de das velocidades (redução 10:1), removível (basta soltar esse anel recartilhado que o prende), com escala graduada no tubo do focalizador para ajustes finos. Vem com sistema de anel de bronze que permite fixar com segurança os acessórios sem marcá-los. Seu padrão é 2" mas acompanha um adaptador 1,25".


Escala no focalizador e detalhe do anel de bronze e adaptador 1,25"
O interior do tubo possui 10 defletores que servem para desviar luzes parasitas e aumentar o contraste da imagem. É pintado em um preto fosco muito bem acabado. A célula do secundário é muito robusta, toda montada com parafusos Allen que garantem sua fixação ao tubo e estabilidade do alinhamento do secundário. Seu diâmetro é de 85mm o que confere uma obstrução central de aproximadamente 40%.

Detalhe interno do tubo com destaque para a célula do secundário e defletores
Entre os acessórios incluídos existem três extensores de 90mm de diâmetro por 1" e 2" de comprimento. com esses extensores é possível adaptar uma séries de acessórios, câmeras, rodas de filtros e obter foco em qualquer das configurações.
Anéis extensores
É um belo equipamento, com abertura de respeito (200mm), comprimento compacto (530mm) e peso razoável para a montagem que possuo. Agora é partir para testes de campo e aproveitar o que essa óptica conhecida pela sua ótima correção tem a oferecer. Encerro com uma foto do tubo na minha montagem Sirius EQ-G e uma grande expectativa nesse novo equipamento.

Tubo colocado na montagem Orion Sirius EQ-G



domingo, 11 de agosto de 2013

Minha nova maleta de acessórios.

Hoje é dia dos pais. Além de toda a alegria de estar em casa com minha esposa e duas filhas queridas ganhei um presentão! Tenho poucos acessórios para a atividade de astronomia amadora que há muito estavam em uma pequena pasta improvisada. O problema todo era que essa pasta era pequena e quando eu ia ao quintal tinha que ficar carregando várias coisas em viagens separadas: a pasta com oculares e filtros, uma extensão elétrica, a caixinha da minha câmera, controle SynScan, fonte, lanterna....

Ganhei da minha esposa e filhas uma ótima maleta de alumínio que além de muito bonita e resistente me permitiu colocar todos os acessórios juntos de forma que isso vai reduzir muito o número de viagens para montar o equipamento. Grande vantagem também é que agora fica tudo bem guardado e protegido.

Obrigado à esposa sempre companheira, obrigado à filhas que trazem alegria e iluminam minha vida e obrigado às três que sempre me ajudam e estimulam o meu hobby.




domingo, 4 de agosto de 2013

Algumas observações nas férias

Depois de um curto período de férias viajando com a família retorno a São Paulo. A campeã de poluição luminosa da América Latina pode desanimar e muito os astrônomos amadores de plantão mas ainda assim somos muitos aqui. O que gosto dessa época de inverno, além do frio, é que os céus ficam aparentemente bem mais escuros o que aumenta o prazer da astronomia amadora urbana. Ao lado disso têm muitos objetos interessantes para observar na região de Sagitário e Escorpião (minha constelação favorita).

Daqui de São Paulo alguns dos objetos fáceis de visualizar são as nebulosas planetárias. São objetos de céu profundo com um brilho de superfície razoável, o que facilita sua busca e observação. Nesses últimos dias consegui observar duas nebulosas planetárias bem interessantes: M57, a nebulosa do anel que se encontra em Lira e NGC 7009, a nebulosa Saturno que se encontra em Aquário.

Ambas são bem fáceis de localizar e visualizar, mesmo sob os céus extremamente claros aqui de São Paulo. Usando o meu telescópio newtoniano de 150mm f/D8 e ocular Plössl de 17mm, M57 se mostrou como uma nuvenzinha cinzenta com o centro um pouco mais escuro. Mudando para uma ocular Astrotech ED de 8mm é possível ver facilmente o formato de anel que lhe dá o nome.

NGC 7009 foi um verdadeira surpresa. Apontei para ela sem grandes expectativas e no inicio, com a ocular de 17mm, fiquei meio em dúvida se tinha encontrado ou se era uma estrela que eu não conseguia focalizar direito. Finalmente coloquei o foco em uma posição adequada e consegui identifica-la com certeza como sendo a nebulosa que eu procurava. Mudando para a ocular de 8mm permanece o aspecto nebuloso mas agora é facilmente perceptível o formato de Saturno que deu o nome a nebulosa. Realmente, ela se parece com o planeta em sua forma e arrisco dizer também em tamanho aparente.

Para os astrônomos que como eu tem um céu poluído pela iluminação pública esses são dois grandes objetivos para observar nas próximas noites. Para quem tiver céus escuros então, devem ser duas nebulosas muito bonitas para estudar.

sábado, 8 de junho de 2013

Armazém do Telescópio em São Paulo

Todos falam que o melhor dos mundos é poder trabalhar com alguma coisa que se gosta. Bom, parece que isso está acontecendo comigo! 

Desde o início desta semana comecei a vender produtos de astronomia aqui em São Paulo. O Leandro do Armazém do Telescópio e eu eu iniciamos uma parceria onde o Leandro envia produtos de sua loja para São Paulo e esses são vendidos a pronta entrega, com os mesmos valores, descontos, garantia e (principalmente) a qualidade que todos já conhecem do Armazém do Telescópio. Quem tiver interesse pode entrar em contato pelo meu Google+, pelo e-mail do Armazém em São Paulo (saopaulo@armazemdotelescopio.com.br) ou pelo próprio Armazém do Telescópio e o Leandro redireciona os clientes paulistanos.

De início tenho disponível para pronta entrega:

Binóculos Expanse 10x50
Binóculos Expanse 7x50
TeleXtender Meade 2"
Suporte para câmera steadypix deluxe
Tripod bino adapter
Adaptador t2-1.25"
Anel canon t2
Anel nikon t2
Ocular superview 30mm 2"
Ocular SWA 13mm
Ocular SWA 3.5mm
Câmera ASI030mc
Câmera ASI 120mc
Câmera ASI 120mm
Ocular ED 5mm
Ocular ED 8mm
Ocular ED15mm
Ocular ED 18mm
Colimador simples
Extensor gso 25mm
Filtro orion O- III
Câmera adapter 58mm

Espero o contato e a visita dos astrônomos amadores de Sampa!!!

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Um telescópio se foi.....

Nem bem deu tempo de eu montar minha página de equipamentos e já ocorreu uma mudança. Nesse final de semana vendi meu telescópio Maksutov-Cassegrain 150mm f/D 12. Excelente equipamento! Senti muito em vendê-lo e por diversos momentos pensei em desistir mas me mantive firme pois agora estou com um objetivo maior em mente: quero um telescópio de 200mm de abertura! Os candidatos são dois até o momento: um newtoniano f/D5 ou um Ritchey-Chretién f/D8.

A venda do mak foi uma decisão puramente estratégica. Pensando racionalmente foi a melhor decisão porém, do lado emocional, foi muito difícil. Espero que o novo dono se divirta com ele, o mak foi um companheiro fiel em muitas noites de observação.....


domingo, 5 de maio de 2013

Primeira tentativa de fotografar um DSO

No último dia 03/05/2013 montei o equipamento no quintal com o objetivo de testar a nova atualização do software SynScan da minha montagem. Esse software tem uma rotina de alinhamento polar que permite alinhar a montagem com o pólo celeste usando outras estrela além daquelas próximas ao pólo. É uma rotina bem interessante para mim pois daqui da minha casa não tenho acesso ao pólo celeste. Além disso, a poluição luminosa daqui de São Paulo prejudicaria muito a localização das estrelas de pouco brilho próximas do pólo.

Depois de testar a rotina eu precisava de alguma forma verificar se a montagem estava bem alinhada com o pólo. Para fazer isso, além de observação visual, resolvi fazer algumas astrofotos de longa exposição e com isso ver se havia algum arrasto das estrelas. Isso iria então caracterizar (ainda que grosseiramente) o quanto o alinhamento ficou bom. Usei a câmera QHY5L-II  que em princípio é uma câmera planetária mas que permite também fazer exposições longas de até 10 minutos. Algumas tomadas depois verifiquei que ainda havia um pequeno desalinhamento pois algumas das estrelas apresentavam-se como um pequeno risco.

Eu já estava bem cansado e não muito disposto a melhorar mais o alinhamento e comecei a fazer um pouco de observação. Naquele momento eu vi que o DSO conhecido como Fantasma de Júpiter estava em uma posição boa no céu e apontei o telescópio para sua região. Na ocular, NGC 3242 ou Ghost of Jupiter aparece como uma estrela um pouco desfocada. Aos meus olhos tem tons de cinza e consegui melhor contraste e definição da nebulosa com minha ocular Orion Sirius Plössl de 10mm. Parece ser muito aumento mas é um objeto bem pequeno e esse aumento mais forte escureceu o fundo do céu de forma a permitir uma  melhor observação dos contornos da nebulosa. O Telescópio que usei foi um Maksutov-Cassegrain de 150mm de abertura e f/D12. Como estava tudo montado (câmera, notebook, cabos) coloquei a câmera de volta no focalizador e fiz essa imagem:

NGC3242 - Fantasma de Júpiter
A foto em si não está muito boa.... na verdade está bem ruim em relação ao que se pode fazer em astrofotografia de DSO! Foi feita de exposição única, de 15 segundos, e com isso o ruído térmico da câmera ficou extremamente destacado. Mas tirando todos os defeitos da foto fiquei até que satisfeito. Talvez não valha a publicação mas vale pelo registro do primeiro DSO que fotografei. Acho interessante colocá-la aqui para eu poder, ao longo do tempo, tentar melhorar essas fotos e no futuro olhar aqui e ver como eu comecei.